O Brasil manteve a estabilidade nos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) nos últimos dez anos, enquanto nações ricas registraram queda na aprendizagem, segundo dados divulgados nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O país reduziu a distância em relação aos países desenvolvidos ao longo de duas décadas.
O exame avaliou 30.140 estudantes de 1.053 escolas brasileiras em Ciências, Matemática e Leitura, além de Resolução de Problemas por Ferramentas Computacionais. O Brasil foi classificado com “baixo desempenho” em três das quatro áreas. Em Leitura, a posição foi “abaixo da média”, patamar superior aos demais, mas ainda inferior à média da OCDE.
A OCDE aponta que a queda global de desempenho, especialmente em países ricos, reflete a perda de concentração e a diminuição do hábito da leitura em um mundo digital e impactado pela inteligência artificial. Atualmente, 20% dos estudantes de 15 anos nas nações mais ricas têm baixo desempenho em Leitura, Matemática e Ciências, contra 16% em 2022.
Em Matemática, a área mais crítica para os brasileiros, o país ficou na 71ª posição com 377 pontos, a mesma nota de dez anos atrás. Apenas 28% dos alunos alcançaram o nível 2 de proficiência, capacidade de interpretar situações matemáticas simples sem instruções diretas. Na média da OCDE, esse índice é de 65%.
O avanço mais expressivo na última década ocorreu em Ciências, onde o Brasil subiu para a 67ª posição, com 409 pontos, ante 401 em 2015. Em Leitura, o país ocupa a 52ª posição com 408 pontos. Na nova avaliação de Ferramentas Computacionais, os estudantes brasileiros ficaram na 69ª colocação, demonstrando interação superficial com recursos digitais.
O Ministério da Educação (MEC) afirmou que o sistema educacional brasileiro mostrou resiliência após a pandemia de covid-19. A pasta declarou que o país recuperou e superou o desempenho pré-pandemia em Ciências e teve perdas menores que a média da OCDE em Leitura e Matemática entre 2018 e 2025.
Andreas Schleicher, diretor de Educação e Competências da OCDE, citou o Brasil como exemplo de promoção de equidade. O relatório indica que, desde 2006, a distância entre os estudantes brasileiros e a média da OCDE caiu de 102 para 58 pontos em Leitura, de 113 para 77 em Ciências e de 131 para 92 em Matemática.


