O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afastou nesta terça-feira (8) o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. A decisão monocrática ocorre após a constatação de que relatórios de inteligência monitoraram sistematicamente a atuação do magistrado e da Advocacia-Geral da União (AGU).
Mendonça afirmou que o ministro Alexandre de Moraes teve conhecimento prévio da existência desses documentos, que teriam sido usados por Moraes para tentar incluí-lo no inquérito das fake news. Segundo a decisão, ao menos seis relatórios foram produzidos entre 3 e 31 de agosto, analisando decisões judiciais e relações institucionais do ministro.
O magistrado questionou a validade do material, classificando-o como documento de trabalho sem valor probatório, sem timbre, assinatura ou data. Mendonça sustenta que há indícios de omissão e participação da alta cúpula da PF na elaboração do conteúdo, utilizando a posição hierárquica de Andrei Rodrigues como argumento central para o afastamento.
A crise teve início após Mendonça retirar o sigilo de documentos da operação Compliance Zero. As mensagens revelariam que Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, procurou Moraes para obter ajuda junto ao diretor-geral da PF e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em resposta, Moraes requisitou os relatórios da PF sobre Mendonça, alegando indícios de abuso de autoridade e improbidade.
O presidente do STF, Edson Fachin, retirou o pedido de Moraes do inquérito das fake news e determinou que a questão fosse analisada no procedimento relacionado às mensagens de Vorcaro. Mendonça agora determinou que a Corregedoria da PF abra investigações penais e administrativo-disciplinares para identificar os responsáveis pela produção dos relatórios.
A decisão também suspende a produção ou compartilhamento de qualquer relatório de inteligência destinado à análise de atos de prestação jurisdicional, advocacia pública e polícia judiciária. O ato foi submetido a referendo da 2ª Turma do Supremo. Procurados, Andrei Rodrigues, a PF, a AGU e o Ministério da Justiça não se manifestaram.


