Uma investigação da organização Mercy For Animals (MFA) documentou a morte de aproximadamente 35 mil pintinhos em um único dia em um incubatório de grande porte na Região Sul do país. Os animais foram colocados em máquinas com lâminas rotativas de alta velocidade em um processo de descarte comum na indústria de ovos global.
O descarte ocorre em menos de 24 horas após o nascimento. São eliminados machos, que não botam ovos e não possuem genética para produção de carne, além de fêmeas com anomalias, deformidades, sangramentos ou nascimento prematuro. Luiza Schneider, vice-presidente de Investigações da MFA, afirmou que os filhotes têm sistema nervoso formado e capacidade de sentir medo e dor física.
A organização propõe a sexagem in ovo, tecnologia que identifica o sexo do embrião durante a incubação, permitindo o descarte dos ovos de machos antes da eclosão. A primeira máquina desse tipo foi instalada no interior de São Paulo em julho de 2025. Na União Europeia, 130 milhões de 340 milhões de poedeiras eram provenientes desse método em junho deste ano, segundo a Innovate Animal Ag.
O custo operacional é o principal entrave para a expansão. No Brasil, o método convencional custa cerca de R$ 7 por ave, enquanto a tecnologia adiciona entre R$ 5 e R$ 10, um acréscimo de 80% a 150% no preço da ave. Vanessa Garbini, vice-presidente de Relações Institucionais e Governamentais da MFA, disse que a adoção da prática na Suíça e Noruega prova que os custos não inviabilizam a mudança.
Não existe norma federal no Brasil que proíba o descarte de pintinhos machos. O tema é discutido no Congresso Nacional pelos projetos de Lei 783/2024, da deputada Luciene Cavalcante (PSOL-SP), e 3034/2026, da deputada Heloísa Helena (Rede-RJ). O PL 783/2024 recebeu parecer contrário na Comissão de Agricultura por questões econômicas e deve seguir para o plenário.
A MFA informou que encaminhará a denúncia ao Ministério Público. A organização argumenta que a Constituição Federal e a legislação ambiental proíbem práticas que submetam animais à crueldade e maus-tratos.


