O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, retirou nesta quarta-feira (9) o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news. A medida visa contornar a crise na Corte provocada por um embate entre Moraes e o ministro André Mendonça, mas mantém a investigação em vigor sob o comando de Fachin.
O procedimento foi instaurado em março de 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, para investigar ataques ao tribunal. Desde a abertura, a condução do processo por Moraes foi alvo de críticas. Em junho de 2020, a Corte declarou a constitucionalidade da investigação por 10 votos a um, com divergência apenas do ministro Marco Aurélio Mello.
Ao longo de sete anos, o inquérito atingiu figuras como o ex-presidente Jair Bolsonaro, incluído em agosto de 2021 por alegações de fraude nas urnas, e o empresário Luciano Hang, alvo de busca e apreensão em maio de 2020. O Partido da Causa Operária também foi incluído em junho de 2022 após defender a dissolução da corte em redes sociais.
A investigação expandiu seu escopo em novembro de 2024, quando Moraes compartilhou a apuração com os inquéritos do golpe e das milícias digitais. Em fevereiro de 2026, o foco incluiu acessos indevidos a sistemas da Receita Federal que expuseram dados de ministros e familiares, resultando na oitiva de Kléber Cabral, presidente de sindicato de auditores.
Recentemente, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) enviou carta a Fachin pedindo o fim do inquérito por preocupação com a duração das investigações. Em abril de 2026, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, tornou-se alvo após notícia-crime enviada por Gilmar Mendes devido a críticas publicadas em vídeo.
A mudança de relatoria ocorreu após Moraes protocolar despacho pedindo a investigação de André Mendonça por indícios de crimes na relatoria do caso Master. Fachin retirou o pedido do escopo do inquérito e, dias depois, removeu Moraes da relatoria.


