Uma mulher de 40 anos passou pelo primeiro transplante de intestino realizado no Estado do Rio de Janeiro no último sábado (5). A cirurgia, feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital Silvestre, no bairro do Cosme Velho, durou seis horas e substituiu as porções do intestino delgado e grosso da paciente.
A paciente convive com a doença de Crohn há 10 anos e já havia passado por oito cirurgias para retirada de partes do órgão. O quadro evoluiu para a perda da capacidade de absorver nutrientes, o que exigiu alimentação por via venosa. O tratamento falhou após uma trombose causar a perda dos acessos de nutrição no pescoço e nas pernas.
Os órgãos foram doados por uma criança de cinco anos que teve morte cerebral enquanto estava internada no Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias. A família da doadora autorizou o procedimento, que exigiu transporte rápido para evitar a isquemia do órgão.
Eduardo Fernandes, chefe da equipe de transplantes do Hospital Adventista Silvestre, explicou que a escolha do doador é um desafio devido à necessidade de compatibilidade física e ao curto tempo que o órgão pode permanecer fora do corpo. No caso da paciente, foi necessário um doador pediátrico por ela ter porte físico pequeno.
O transplante de intestino foi incorporado ao SUS em fevereiro de 2025. Antes dessa medida, pacientes brasileiros precisavam ser encaminhados para tratamento no exterior para realizar a cirurgia.
A paciente agora passa por monitoramento para evitar sinais de rejeição, que costumam ser mais frequentes nesse tipo de transplante do que em outros. A equipe médica informou que o novo intestino está funcionando bem e o quadro clínico é positivo.


