A Polícia Federal identificou repasses que somam R$ 1,4 milhão do deputado federal Mario Frias (PL-SP) e de uma empresa para a produtora Go Up, responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações constam em relatório entregue ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de operação deflagrada nesta quinta-feira (10).
Os investigadores apontam que o parlamentar enviou R$ 645 mil e a empresa NTT transferiu outros R$ 755 mil para a produtora. A PF questionou a origem dos recursos de Frias, considerando que seus rendimentos mensais são de R$ 44 mil, o que colocaria em dúvida o lastro financeiro para as transferências feitas em menos de 60 dias.
O repasse da NTT foi relacionado a valores que outras empresas investigadas receberam do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG que recebeu emendas de Mario Frias. A NTT pertence a Heric Dias e integra o mesmo grupo empresarial da Dinâmica Editora e do Instituto Super Poder Educacional, que foram subcontratados pela ONG por R$ 700 mil.
A PF informou que a NTT enviou R$ 750 mil para a Go Up Entertainment no mesmo período. O valor é quase idêntico aos R$ 700 mil recebidos pelas outras empresas do grupo via ICB, por meio de um termo de fomento cujo objeto teve tentativas de execução apenas em 2026.
A operação desta quinta-feira cumpre 49 mandados de busca e apreensão determinados pelo STF para apurar o suposto desvio de emendas parlamentares no financiamento da obra. Mario Frias destinou R$ 2 milhões em emendas ao ICB em 2024, com pagamentos realizados em fevereiro e outubro de 2025.
Em investigação separada, a Polícia Federal também apura o envio de recursos para um fundo de investimentos nos Estados Unidos por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.


