O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu nesta quinta-feira (10) que o deputado federal Mario Frias (PL-SP) deixe o país ou mantenha contato com outros investigados na operação Make Up. A ação, conduzida pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), apura desvios de recursos de emendas parlamentares.
A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Além do parlamentar, a produtora Karina Gama, responsável pelo filme “Dark Horse”, está entre os alvos. A PF informou que a investigação aponta a existência de uma organização criminosa composta por agentes públicos e privados que direcionavam valores para empresas subcontratadas sem a efetiva prestação dos serviços.
As suspeitas indicam que Mario Frias teria utilizado emendas ao Orçamento para financiar a produção do filme “Dark Horse”. O caso é desdobramento da operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master e seu fundador, Daniel Vorcaro. Em maio de 2026, áudios de Vorcaro mencionaram o financiamento da obra, incluindo uma gravação do senador Flávio Bolsonaro (PL) solicitando dinheiro ao ex-banqueiro para a produção.
Atualmente, o STF conduz dois inquéritos sobre o mesmo tema. O ministro André Mendonça relata a investigação sobre fraudes do Banco Master, enquanto Flávio Dino conduz o inquérito sobre irregularidades em emendas parlamentares. Ambos os processos buscam esclarecer como a cinebiografia foi bancada. A apuração de Dino teve início após pedidos de investigação protocolados pelos deputados Tabata Amaral (PSB-SP) e Henrique Vieira (Psol-RJ).
A defesa de Mario Frias protocolou uma petição ao presidente do STF, Edson Fachin, no dia 28 de agosto de 2026, argumentando que o juiz natural do caso deveria ser André Mendonça. Até o momento, Fachin não se manifestou sobre o pedido. Os crimes investigados incluem peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade documental e crimes licitatórios.
O gabinete do deputado não respondeu aos questionamentos sobre a operação. A equipe de reportagem também tentou contato com Karina Gama, mas não localizou canais de comunicação válidos.


