Cerca de 40% das 2,7 mil pessoas que morreram nos ataques de 11 de setembro, no World Trade Center, em Nova York, ainda não foram identificadas após 25 anos. O trabalho forense, iniciado imediatamente após a tragédia, continua tentando associar restos mortais a identidades formais por meio de novas tecnologias genéticas.
Dos 21,9 mil restos mortais recuperados no local, 14,9 mil foram identificados, enquanto 6,9 mil permanecem sem nome. Especialistas explicam que as condições extremas degradaram o material genético. No ponto de impacto das aeronaves, as temperaturas chegaram a 982°C e os escombros queimaram por pelo menos três meses, misturando fragmentos de ossos ao concreto e detritos.
Em agosto, o Escritório do Médico-Legista-Chefe de Nova York anunciou a identificação da 1.654ª vítima, uma mulher adulta. O caso marca a primeira vez que cientistas utilizaram a genealogia genética forense investigativa (FIGG) no World Trade Center. A técnica combina sequenciamento do genoma completo com pesquisas genealógicas para localizar parentes distantes.
Segundo a antropóloga forense Jennifer Odien, existem atualmente 47 perfis que podem ser identificados por esse método. No laboratório, fragmentos são resfriados com nitrogênio líquido e triturados até virarem pó para a extração de células de DNA. Os restos mortais foram preservados em embalagens lacradas para permitir novas análises conforme a tecnologia evoluísse.
A complexidade do trabalho inicial foi agravada pela falta de tecnologia em 2001. Lydia de Castro, que atuou no órgão entre 2001 e 2004, relatou que a equipe trabalhava manualmente e utilizava livros de registro comuns para rastrear milhares de amostras. Durante quatro meses, os restos das vítimas chegaram aos laboratórios 24 horas por dia.
A maior parte das identificações ocorreu nos primeiros quatro anos, com 1.592 vítimas confirmadas até abril de 2005. O ritmo diminuiu posteriormente, dependendo do surgimento de novos métodos. Cerca de 1,4 milhão de toneladas de material do Ground Zero chegaram a ser transportadas para o aterro de Fresh Kills, em Staten Island, para serem vasculhadas.
O médico-legista Jason Graham afirmou que o escritório continuará reexaminando o material armazenado. Cientistas admitem que a identificação total de todas as vítimas pode ser impossível, pois em alguns casos não restaram materiais disponíveis para análise.


