A Polícia Federal identificou indícios de uma triangulação financeira de R$ 6,1 milhões envolvendo empresas e entidades ligadas à empresária Karina Gama, da produtora Go Up Entertainment. A investigação, que resultou em operação realizada nesta quinta-feira (10), apura irregularidades em um contrato com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de wi-fi.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a decisão, o dinheiro saía do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e era repassado a empresas terceirizadas que, posteriormente, transferiam os valores para a Academia Nacional de Cultura (ANC). Ambas as organizações são de propriedade de Karina Gama, responsável pela cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ministro Dino afirmou que a ANC aparece repetidamente como destinatária de recursos de empresas financiadas pelo ICB. O magistrado citou registros de envio de R$ 6.175.273,64 para a ANC e questionou a ausência de comunicações simétricas, dado que a organização não possui fins lucrativos. Para o ministro, há fortes indícios de retorno de recursos públicos para os responsáveis pela organização, com potencial de desvio e lavagem de dinheiro.
O deputado Mario Frias (PL-SP) também foi um dos alvos da ação policial. Em nota, a defesa de Karina Gama declarou que entregou mais de 20 mil laudas de documentos à Polícia Federal no dia 4 de setembro, antes da operação, para provar boa-fé. A advogada informou ainda que protocolou uma reclamação constitucional no STF na quinta-feira (10) para questionar aspectos processuais da medida.
A Prefeitura de São Paulo afirmou que a execução do termo de colaboração com o ICB não apresenta irregularidades identificadas e que o Programa Wifi Livre continua em funcionamento. A administração municipal informou que a Controladoria Geral do Município (CGM) acompanha as investigações desde as primeiras denúncias e instaurou um procedimento em maio de 2026.


