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Câmara dos Deputados homenageia Marielle Franco e Anderson Gomes em sessão solene

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Em sessão solene realizada nesta quarta-feira (11), a Câmara dos Deputados prestou homenagem à memória da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, oito anos após o assassinato deles no Rio de Janeiro, ocorrido em 14 de março de 2018.

O deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ), colega de partido de Marielle, presidiu a sessão e destacou que Marielle representava uma “pedra no caminho” dos interesses econômicos das milícias. Ele afirmou:

““O julgamento dos mandantes no STF não deixava dúvidas sobre esses dois lados. Queriam tirar a pedra do caminho, mas queriam também impedir a semente de germinar. Esses dois lados do processo precisam ser encarados de forma conjunta. E aí temos a primeira derrota deles, dos assassinos.””

Tarcísio Motta lembrou que a primeira derrota dos assassinos não veio apenas com o recente julgamento. Ele afirmou:

““A derrota deles foi que a semente germinou e nenhum de nós se calou, porque os movimentos sociais tomaram as ruas e impediram que esse crime político fosse mais um crime político sem elucidação na sociedade brasileira.””

O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, por unanimidade, em 25 de fevereiro, os mandantes e envolvidos no assassinato de Marielle e Anderson. Os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão receberam penas de 76 anos de prisão, enquanto outros três envolvidos também foram condenados por homicídio e obstrução de justiça.

A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ), uma das autoras do requerimento para a realização da sessão, afirmou que a homenagem ocorre em um momento importante para a democracia, com a condenação dos mandantes. A viúva de Marielle, Mônica Benício, ressaltou:

““A condenação foi uma resposta, mas a justiça não terminou com a condenação dos mandantes, apesar de ter sido uma resposta fundamental à democracia.””

A ministra de Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, destacou a necessidade de um projeto político de proteção às mulheres. Ela afirmou:

““Não adianta tentar fazer com que a violência possa nos calar. Não adianta fazer como fizeram com Marielle.””

A viúva de Anderson Gomes, Agatha Arnaus Reis, participou virtualmente da sessão e expressou que a justiça trouxe esperança. Ela disse:

““O caminho foi aberto para que o Brasil possa olhar com mais coragem, para que a questão possa ser resolvida.””

A ministra interina das Mulheres, Eutália Barbosa, elogiou Marielle por transformar sua história em uma luta por dignidade. A secretária-executiva do Ministério dos Direitos Humanos, Janine Mello, enfatizou que a luta pela memória de Marielle e Anderson deve ir além da responsabilização criminal, requerendo um compromisso coletivo para que crimes como esses não sejam mais aceitos.

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