Na CPMI do INSS, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A decisão gerou surpresa e indignação entre parlamentares governistas.
O deputado Rogério Correia (PT-MG) expressou sua desconfiança: “Não tenho a menor condição de confiar em nada (com Alcolumbre)”. A aprovação ocorreu em meio a um pacote de 86 requerimentos.
Na quinta-feira, 5 de março, o ministro Flávio Dino, do STF, derrubou as quebras de sigilo de Lulinha, seguindo um precedente estabelecido ao atender um pedido da empresária Roberta Luchsinger, amiga do filho de Lula.
Alcolumbre já havia indicado que não autorizaria a prorrogação da CPMI por mais sessenta dias, conforme solicitado pelo presidente do órgão, Carlos Viana (Podemos-MG). O trabalho da comissão termina em 28 de março.
Dino afirmou que não haveria novos obstáculos se as quebras de sigilo fossem submetidas a votações individuais e fundamentadas. A base governista se prepara para evitar novas surpresas na comissão.
Sem a CPMI, os dados permanecerão sob a guarda do STF, protegidos pelo sigilo do inquérito, o que diminui as chances de vazamentos e exploração política durante o período eleitoral.
Alcolumbre também tem interesses pessoais na situação. Investigadores descobriram uma transferência de R$ 3 milhões para o advogado Paulo Boudens, ex-assessor e amigo de Alcolumbre, em uma análise das contas de uma empresa ligada a Antonio Carlos Camilo Antunes, envolvido em um desvio bilionário de aposentadorias.
O advogado Guilherme Suguimori Santos, que defende Lulinha, afirmou que os dados vazados à imprensa mencionam apenas fontes de renda legais. Ele criticou os vazamentos, considerando-os uma manobra política que atropela limites legais.
““Todos os movimentos e bens são registrados e declarados ao fisco, resultados de atuação legítima”, disse Santos.”


