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Direita critica eleição de Erika Hilton na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Parlamentares de direita manifestaram descontentamento após a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, ocorrida nesta quarta-feira, 11 de março de 2026. Hilton foi eleita com onze votos em uma votação que contou com chapa única, conforme um acordo que designou a presidência da comissão a um membro do PSOL.

A deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) assumiu a 1ª vice-presidência, enquanto Adriana Accorsi (PT-GO) e Socorro Neri (PP-AC) foram eleitas 2ª e 3ª vice-presidentes, respectivamente. Com essa vitória, Hilton se torna a primeira mulher transsexual a presidir a comissão.

No primeiro turno, houve quórum de 22 parlamentares, com 10 votos na chapa e 12 votos em branco. No segundo turno, o quórum foi de 21 deputados, sendo 11 favoráveis e 10 em branco. O resultado gerou críticas entre parlamentares da direita, que votaram em branco como forma de protesto, alegando que a psolista não poderia representar os interesses do público feminino no Brasil.

““Não tenho como parabenizar o que aconteceu aqui hoje. Porque a deputada assume essa cadeira com um peso muito grande, de ter dividido essa comissão, de ter tido 12 votos em branco, ou seja, a maioria contrária à sua eleição”, afirmou a deputada Clarissa Tércio (PP-PE).”

A parlamentar questionou a representatividade de Hilton, afirmando: “Como posso ser representada por uma pessoa que não entende o que eu passo? (…) Essa comissão nasceu para dar vozes às mulheres.”

A deputada Chris Tonietto (PL-RJ) também criticou a eleição de Hilton, expressando preocupações sobre a possibilidade de a comissão se tornar um “palanque político”.

““Preciso lamentar, porque, na condição de mulher, não me representa”, disse Tonietto. “Se essa comissão for transformada em palanque político eleitoreiro, só pra lacração de rede social, não vai ter como essa comissão andar muito bem.””

O deputado Éder Mauro (PL-PA) questionou a legitimidade da presidência de Hilton, afirmando que a comissão deve ser liderada por uma mulher. “Como uma mulher pode aceitar que os seus direitos sejam defendidos por quem não é mulher?”, indagou.

O deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), embora não faça parte da comissão, também se manifestou contra a escolha de Hilton, destacando que a deputada recebeu mais votos em branco do que votos a favor.

““Erika Hilton perdeu a eleição da presidência da comissão das mulheres para os VOTOS EM BRANCO!”, escreveu Bilynskyj em suas redes sociais.”

Apesar das críticas, algumas deputadas parabenizaram Hilton por sua vitória, incluindo Sâmia Bonfim (PSOL-SP), Erika Kokay (PT-DF) e Juliana Cardoso (PT-SP). Em sua primeira fala após a posse, Hilton destacou que sua eleição representa uma superação do “ódio e do preconceito” e enfatizou a importância de abordar as problemáticas que afetam os direitos das mulheres no país.

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