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Feminicídios em Mato Grosso: padrões de violência e histórico de ameaças

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp-MT) mostram um padrão nos feminicídios registrados em Mato Grosso: mulheres assassinadas por companheiros ou ex-companheiros, geralmente em casa ou em ambientes familiares. Neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher, foram reunidos os casos de feminicídio ocorridos em 2026 até o momento.

Até o dia 2 de março, quatro feminicídios foram contabilizados no estado. As vítimas tinham entre 29 e 51 anos, e todos os suspeitos eram homens com algum tipo de relação próxima com elas, como maridos, ex-maridos ou companheiros. O cenário reflete um histórico de violência contra mulheres em Mato Grosso.

No ano de 2025, o estado registrou 53 feminicídios, um aumento de 13% em relação a 2024, que teve 47 mortes desse tipo. Em 2025, 95 mulheres foram assassinadas em Mato Grosso, incluindo homicídios dolosos e feminicídios, o que representa uma queda de 4% em relação a 2024, quando ocorreram 99 mortes. Entretanto, os feminicídios aumentaram de 47 para 53 casos no mesmo período.

Os quatro casos registrados em 2026 apresentam características semelhantes: mulheres adultas entre 29 e 51 anos, crimes cometidos por homens com vínculos afetivos ou familiares, violência ocorrendo dentro de casa ou em ambiente doméstico e, em alguns casos, histórico de ameaças ou conflitos anteriores.

Entre os casos, destaca-se o assassinato da professora Luciene Naves Correia, de 51 anos, que foi morta a tiros em sua casa, no Bairro Osmar Cabral, em Cuiabá, pelo ex-marido Paulo Neves Bispo, de 61 anos. Luciene tinha uma medida protetiva ativa contra Paulo, que invadiu a casa enquanto ela tomava café da manhã. Após disparar contra a professora, ele tentou atacar a filha do casal, que conseguiu se trancar em um quarto e escapar. Paulo foi perseguido por moradores e morto por um policial militar de folga.

Outro caso ocorreu em Nova Maringá, onde Laila Carolina Souza da Conceição, de 29 anos, foi encontrada morta com marcas de golpes de faca em sua casa no dia 11 de janeiro. Vizinhos acionaram a polícia após ouvirem uma briga entre o casal. O suspeito, cunhado da vítima, foi encontrado correndo com uma faca e confessou o crime.

A esteticista Ana Paula Lima Carvalho, de 48 anos, morreu após ser esfaqueada em sua casa em Chapada dos Guimarães. O ataque ocorreu no dia 11 de janeiro, e o suspeito é um ex-genro da vítima, que fugiu após o crime.

Em Lucas do Rio Verde, Jaqueline de Araújo dos Santos, de 40 anos, foi esfaqueada enquanto pedia socorro à polícia. O marido, que estava ao lado do corpo quando os policiais chegaram, foi preso em flagrante e confessou o crime, relatando que havia agredido Jaqueline durante uma discussão.

O aplicativo ‘SOS Mulher MT’ foi criado para ajudar vítimas de violência doméstica em Mato Grosso, oferecendo um botão do pânico para pedidos de socorro. A Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, visa prevenir e combater a violência doméstica e familiar contra a mulher, abrangendo diferentes tipos de violência, como física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

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