Um jovem de 23 anos, Leonardo Cerqueira de Almeida, foi preso por engano em Goiânia, Goiás, após um erro na ordem dos sobrenomes em um mandado de prisão. Ele ficou detido por 13 dias e chorou ao saber que seria solto, conforme relatou sua advogada.
Leonardo foi abordado por policiais militares na rodoviária de Goiânia no dia 26 de fevereiro, enquanto voltava de Porto Alegre do Norte, no Mato Grosso, para sua casa em Teodoro Sampaio, São Paulo. O mandado de prisão continha seus dados pessoais, mas se referia a um investigado com sobrenome trocado: Leonardo de Almeida Cerqueira.
“‘Ninguém deveria passar o que eu passei lá. Foi uma coisa muito chata. A sensação é extremamente ruim de a pessoa ir presa por algo que ela não fez.'”
Os policiais não permitiram que ele ligasse para a família, mesmo alegando inocência. Ele foi levado à delegacia e, posteriormente, à penitenciária de Aparecida de Goiânia. Sua soltura ocorreu 14 dias depois, após a advogada de um colega de cela tomar conhecimento do caso.
A advogada, Déborah Carolina Silva Pereira, soube da situação no dia 10 de março e, dois dias depois, Leonardo foi libertado. Ela entrou em contato com a mãe de Leonardo, que inicialmente não acreditou na história, pensando que era um golpe. Após a confirmação da identidade, a advogada comunicou à Justiça de Minas Gerais, que reconheceu o erro e ordenou a soltura.
“‘Quando eu cheguei, ele estava muito assustado. Falei ‘olha, eu já entrei com o pedido (de soltura) e o juiz já deferiu’. Aí, ele já começou a chorar.'”
O mandado de prisão foi expedido pela Justiça de Minas Gerais em relação a uma investigação por tráfico de drogas na cidade de Prata. Durante a audiência de custódia, Leonardo reafirmou sua inocência e afirmou que nunca havia estado em Minas Gerais.
Em nota, a Defensoria Pública de Goiás informou que o mandado continha os dados de Leonardo, que foram confirmados por ele na audiência. A Polícia Penal de Goiás e a Polícia Militar de Goiás também se pronunciaram, afirmando que a formalização da prisão e a comunicação com familiares são garantidas por lei.
“‘Os presos zombaram, falando que lá todo mundo era inocente, como se eu estivesse mentindo.'”
A juíza Lorena Frederico Soares determinou a soltura de Leonardo, afirmando que houve um ‘erro material na expedição do mandado de prisão’. O caso está em fase de apuração interna pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais.


