No Dia Internacional da Mulher, mães de vítimas de feminicídio falam sobre a dor e o luto que enfrentam diariamente. O crime não apenas tira a vida das mulheres, mas deixa marcas profundas nas famílias.
A professora Valéria Felizardo, mãe de Márcia Anália Felizardo da Silva, assassinada em abril de 2024, descreve sua dor: ‘Uma mãe que perde um filho é uma mãe amputada. Eu carrego aqui no meu ombro, eu e todas as mães, uma mochila invisível do luto, que é muito pesado.’
Márcia foi morta a facadas pelo marido, Josué Vianna, que está preso e foi condenado a 16 anos de detenção. Valéria afirma que a condenação do réu não alivia sua dor: ‘Ele está atualmente condenado a 16 anos, mas a minha filha está condenada à pena de morte.’
A pedagoga Sheila Sales, mãe de Anna Lívia Sales de Macedo, que foi assassinada em dezembro de 2016, compara o luto a uma ‘caverna’ e uma montanha-russa. ‘A gente é obrigada a aprender a caminhar novamente. A família entra em uma caverna escura. É um mundo escuro.’
Anna Lívia foi morta enquanto amamentava seu filho de seis meses. O autor do crime, Felipe Cunha Pinto, foi condenado a 25 anos de prisão, mas já responde em liberdade. Sheila menciona que seu neto ainda não conhece a história da família e vive com medo.
A autônoma Ozanete Dantas também compartilha sua dor após a morte de sua filha, Zaira Cruz, assassinada durante o carnaval de Caicó em 2019. Ozanete acreditou que a condenação do assassino traria alívio, mas a dor persiste: ‘A saudade é tão grande, maltrata tanto o coração da gente.’
O policial militar Pedro Inácio Araújo de Maria foi condenado a 20 anos de prisão em dezembro de 2025, mas Ozanete ainda sofre com a perda.
Os dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Norte mostram um aumento de 60% nos casos de feminicídio nos dois primeiros meses de 2026, com oito assassinatos registrados. Em cinco anos, o estado contabilizou 100 feminicídios, com 2022 sendo o ano com menos casos, totalizando 18.


