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Univaja e DPU denunciam tortura de indígena no Vale do Javari

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) e a Defensoria Pública da União (DPU) denunciaram às autoridades federais que um integrante do povo marubo teria sofrido um “ato de tortura” cometido por invasores da terra indígena. O caso ocorreu no último dia 3, quando a vítima estava pescando próximo à aldeia Beija-Flor e foi cercado por pescadores ilegais.

Os agressores acusaram o indígena de roubo, ameaçaram-no de morte, amarraram suas mãos e pés e o amordaçaram, abandonando-o à deriva em sua canoa, levando sua espingarda e seu telefone celular. O indígena foi encontrado após cerca de 24 horas, exposto a uma “situação de grave perigo”.

A Univaja tomou conhecimento do ocorrido no dia 6 e acionou a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) para que enviassem servidores ao local e detivessem os suspeitos. A Univaja afirmou que a PF em Tabatinga informou não ter contingente para a operação.

A entidade criticou a atuação das autoridades, alegando que a demora prejudicou a coleta de provas e a identificação dos agressores. A Univaja também cobrou providências contra a presença de organizações criminosas armadas na região, onde em 2022 foram assassinados o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips.

A Univaja destacou a urgência da situação, afirmando que a calha do alto Rio Ituí abriga comunidades em contato com a sociedade externa e povos em isolamento voluntário. A invasão dessas áreas expõe populações vulneráveis a contatos forçados e epidemias.

A Defensoria Pública da União informou que foi acionada pela Univaja e pediu ao Ministério da Justiça e Segurança Pública que adote “providências urgentes” para proteger a terra indígena e as comunidades da região. A DPU também solicitou dados sobre operações de fiscalização da pesca ilegal na calha do rio Ituí.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que está acompanhando o episódio em articulação com órgãos federais competentes, como a Funai e a PF, e que o local dos fatos está fora da área de atuação da Força Nacional de Segurança Pública.

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