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Segurança

Violência contra a mulher: pedidos de medidas protetivas triplicam em Sumaré

Amanda Rocha
Última atualização: 12 de março de 2026 07:02
Amanda Rocha
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Tempo: 5 min.
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O número de pedidos de medidas protetivas em Sumaré, São Paulo, mais que triplicou entre 2024 e 2025, conforme dados do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP). Em 2024, foram registrados 133 pedidos, enquanto em 2025 o total subiu para 470, representando um aumento de 253,4%.

A pesquisa foi realizada a pedido do portal via Lei de Acesso à Informação (LAI) e abrange informações de 22 cidades da região de Campinas. A cidade de Campinas lidera as solicitações, com 2.376 pedidos de medidas protetivas no último ano. No total, os municípios da região somaram 6.938 pedidos em 2025.

A medida protetiva é uma ordem judicial de urgência destinada a proteger mulheres que estão sofrendo ameaças ou violência. Essa medida pode obrigar o agressor a se afastar da vítima, sob pena de prisão. No Brasil, a decisão é respaldada pela Lei Maria da Penha, que visa garantir a segurança da vítima. Não é necessário registrar um boletim de ocorrência para solicitar a medida, que deve ser cumprida em até 48 horas.

A advogada especialista em gênero, Thaís Cremasco, comentou que o aumento no número de pedidos indica que as mulheres estão denunciando mais, mas ainda não reflete a totalidade da realidade, uma vez que muitos crimes permanecem subnotificados. Ela também destacou a falta de políticas públicas efetivas e a influência de discursos de ódio contra as mulheres, que podem estar relacionados ao aumento da violência.

“”Mulheres têm denunciado mais, porém, a violência aumentou de forma considerável. Eu diria que até eu que trabalho há 5 anos em DDM estou assustada com o aumento nos números”, afirmou a delegada da Delegacia da Defesa da Mulher (DDM) de Sumaré, Nathalia Alves Cabral.”

Em 2026, já foram registrados um feminicídio e duas tentativas de feminicídio na cidade. A delegada Cabral também mencionou que a mudança no poder Judiciário em Sumaré, ocorrida em 2025, pode ter impactado as decisões judiciais relacionadas às medidas protetivas.

A prefeitura de Sumaré refutou a ideia de que o aumento nos pedidos é um sinal de ausência de políticas públicas, afirmando que reflete o fortalecimento da rede de proteção e o encorajamento das vítimas a buscarem ajuda. A administração municipal destacou a criação de uma secretaria exclusiva para centralizar políticas voltadas ao público feminino em maio de 2025.

Embora a maioria das cidades da região tenha registrado aumento nos pedidos de medidas protetivas, algumas, como Hortolândia e Americana, apresentaram quedas significativas. Em Hortolândia, o número caiu de 521 em 2024 para 437 em 2025, uma diminuição de 16,1%. Em Americana, o total passou de 597 para 368, uma queda de 38,4%. Apesar das reduções, a violência contra a mulher continua a ser uma preocupação, com a advogada Cremasco afirmando que a diminuição não deve ser comemorada.

“”A gente não pode olhar a violência contra a mulher como uma situação isolada. A violência contra a mulher é uma estruturação. Então, se está aumentando é porque a estrutura propiciou esse aumento”, explicou a advogada.”

A advogada também apontou que a violência contra a mulher tem crescido em todo o país, em parte devido ao avanço de grupos que promovem discursos misóginos na internet. Ela defende a importância de criminalizar o discurso de ódio contra as mulheres.

Uma mulher de 34 anos, residente em Campinas, compartilhou sua experiência de violência e como pediu uma medida protetiva após ser agredida pelo ex-marido. Ela ressaltou a importância de não se tornar uma estatística de feminicídio.

“”Eu não quero virar outra estatística [de feminicídio]. Então antes ele ficar longe de mim, do que eu num caixão”, afirmou a vítima.”

Outra vítima, uma estudante de 24 anos, relatou ter sido agredida pelo ex-namorado e como conseguiu escapar da situação. Ambas as mulheres enfatizaram a necessidade de buscar ajuda e denunciar a violência desde os primeiros sinais.

A advogada Thaís Cremasco reforçou que é crucial fazer o pedido de medida protetiva ao primeiro sinal de violência, pois a violência tende a escalar se não for contida.

TAGGED:direitos das mulheresFeminicídiomedidas protetivasNathalia Alves Cabralpolíticas públicasSão PauloSumaréThaís CremascoViolência contra a mulher
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