A Justiça de São Paulo negou o pedido de instauração de exame de insanidade mental apresentado pela defesa de um fisiculturista preso por espancar a namorada, uma médica, em julho de 2025. A decisão é da juíza da 4ª vara do Júri da capital paulista, em 6 de maio.
O fisiculturista responde por tentativa de homicídio qualificado. A defesa alegava que ele tinha histórico de abuso de anabolizantes e drogas psicotrópicas, além de transtorno alimentar, o que comprometeria sua sanidade mental na época do crime. A magistrada, no entanto, entendeu que os elementos do processo mostram que os supostos transtornos não afetaram a consciência do acusado sobre seus atos. “As alterações de humor ou impulsividade mencionadas por testemunhas situam-se no campo comportamental, não atingindo o núcleo da capacidade intelectiva exigida pelo Direito Penal”, diz a decisão.
A defesa da vítima, representada pela advogada Gabriela Manssur, afirmou que recebeu a decisão com respeito e confiança. Em nota, disse que “o uso de anabolizantes, medicamentos controlados ou eventual alteração comportamental não pode servir como justificativa automática para afastar a responsabilidade penal em crimes graves praticados contra mulheres”. O crime ocorreu em julho de 2025, durante a comemoração do aniversário da vítima, em um apartamento alugado em Moema, zona sul de São Paulo. O fisiculturista confessou ter agredido a namorada por ciúmes. Imagens de câmeras de segurança mostram que as agressões duraram cerca de seis minutos. Vizinhos acionaram a polícia após ouvirem gritos. O acusado fugiu com o carro da vítima e foi preso em flagrante no litoral paulista. A médica sofreu múltiplas fraturas faciais, ficou em estado grave e passou por cirurgias, mas recebeu alta hospitalar em 27 de julho.

