Uma mulher trans de 56 anos celebra a vida em Juiz de Fora, Minas Gerais, após décadas de invisibilidade e luta pela sobrevivência. Ela enfrentou rejeição familiar, prostituição e dependência química em um período de grande exclusão social.
A trajetória da mulher trans, nascida na Zona da Mata mineira, mostra a dificuldade de viver em um contexto onde a identidade de gênero era negada. Ela relatou que, na infância, a regra imposta era que “você tinha que ser homem, e ponto”. A falta de aceitação levou a depressão e à necessidade de se esconder.
Na juventude, buscou refúgio na religião, ingressando em um seminário local. Contudo, percebeu que não poderia viver escondendo sua identidade sob a batina. Sem oportunidades no mercado formal, recorreu à prostituição para sobreviver, período em que também lidou com dependência química.
Aos 56 anos, ela ultrapassou a expectativa de vida média da população trans no Brasil, estimada em cerca de 35 anos pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Após rodar o país e o mundo, retornou a Juiz de Fora para iniciar sua transição, com o procedimento cirúrgico realizado em 2017.
A mulher afirma que a aceitação interna foi a mudança mais importante. Ela se tornou referência para jovens LGBT+ do bairro Dom Bosco, declarando: “Minha conclusão é que vale a pena lutar. Olha para mim: estou viva”.

