A Polícia Federal indicou que o líder do governo no Senado apresentou e defendeu uma emenda a Medida Provisória que trata da ampliação de empréstimos consignados. A proposta, que visava limitar juros, beneficiaria o Banco Master, segundo relatório da PF citado em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
A emenda, apresentada pelo senador em 2022, buscava estabelecer um teto para os juros de consignados, proibindo cobrança superior a 300% da taxa média do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Na prática, o teto dos juros subiria de 14% ao ano para 21%. A PF indicou que a atuação parlamentar do senador se correlaciona com a pauta do crédito consignado e com o início de relações contratuais entre o Banco Master e uma empresa ligada ao núcleo familiar do parlamentar.
Investigações revelaram que a empresa da nora do senador recebeu R$ 11 milhões do Master entre 2022 e 2025 para prospectar negócios ligados ao crédito consignado. A PF também apontou o senador como “beneficiário central” de “vantagens econômicas” pagas pelo Banco Master. Entre os benefícios citados estão pagamento de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador e o uso de aeronaves ligadas à instituição.
O senador sempre negou qualquer ligação com o esquema de fraudes financeiras do Banco Master. A emenda defendida pelo parlamentar não foi incluída na versão final da Medida Provisória, que foi aprovada pelo Congresso em julho de 2022.

