Cinquenta e quatro por cento das mulheres brasileiras relataram ter sofrido algum tipo de violência doméstica, segundo o estudo “20 anos da Lei Maria da Penha: Percepção da Sociedade Brasileira”. Os dados mostram que a violência é frequentemente naturalizada, e apenas um em cada dez homens admite ter cometido agressão contra parceiras.
A violência psicológica foi o tipo mais relatado, atingindo 42% das entrevistadas. Em seguida, vieram a violência moral, com 29%, e a física, com 25%. A violência sexual foi citada por 10% das participantes. Apesar do conhecimento da Lei Maria da Penha, apenas 46% das mulheres sabiam que a legislação protegia contra a violência patrimonial.
Os entrevistados apontaram diversos entraves para o acesso à lei. O medo de represálias ou a falta de proteção efetiva contra o agressor foi citado por 68% dos respondentes. Além disso, 56% citaram o receio da impunidade dos agressores e 39% mencionaram a lentidão da Justiça brasileira como barreiras.
De acordo com o estudo, a violência é majoritariamente praticada por homens próximos. Oitenta e oito por cento dos entrevistados indicaram parceiros ou ex-parceiros como agressores. A pesquisa, realizada com 1.500 pessoas em todo o país, foi conduzida pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Locomotiva, com apoio da Uber.


