O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, procurou a líder do governo no Senado para se queixar de declaração de um deputado do PT na Câmara. O parlamentar afirmou que o senador seria tratado como “inimigo dos trabalhadores” se não pautasse a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho 6×1.
A PEC, prioridade do governo federal, foi aprovada na Câmara em 27 de maio, mas não progrediu no Senado. Alcolumbre sinalizou a auxiliares que a pauta só avançaria após conversa com o presidente, o que não ocorreu. O deputado do PT declarou que daria uma “trégua” ao presidente do Senado até a próxima semana para que a proposta fosse encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sob pena de ser considerado um “inimigo dos trabalhadores e da pauta”.
Em resposta, a Presidência do Senado divulgou nota afirmando que “esse tipo de ameaça e tentativa de intimidação não será mais tolerado”. O senador declarou que a definição da pauta é prerrogativa constitucional da Presidência e não se submete a “ultimatos ou pressões político-eleitorais”, alertando que qualquer constrangimento representa afronta à independência entre os Poderes.
Relatos indicam que Alcolumbre também telefonou à líder do governo no Senado, reiterando as queixas sobre pressões de governistas e militância petista. Integrantes do PT no Senado comentaram em conversas reservadas que o comportamento atrapalha o avanço da PEC, indicando um ruído na relação entre o Planalto e a cúpula do Senado.

