Apesar de a legislação brasileira garantir 30 dias de descanso remunerado, a maioria dos profissionais não utiliza o período integralmente. Um levantamento da Deel mostra que apenas 33% dos brasileiros desfrutam de todos os dias de férias, enfrentando barreiras culturais e organizacionais.
O problema transcende o direito legal. Especialistas em gestão de pessoas indicam que fatores como a pressão por resultados e o receio de sobrecarregar colegas dificultam o desligamento do trabalho. Com a consolidação do trabalho híbrido e das ferramentas de comunicação instantânea, as fronteiras entre vida pessoal e profissional diminuíram, fazendo com que sair de férias muitas vezes signifique apenas trabalhar à distância.
O comportamento brasileiro apresenta um paradoxo. Embora usem menos dias, 62% dos trabalhadores tiram um bloco de descanso de 11 dias ou mais, um índice superior ao observado em Suécia (55%) e Dinamarca (51%). Michele Cascardo, diretora de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina da Deel, comentou que pedidos de meio período são mais comuns em mercados europeus, mas são raros no Brasil.
A dificuldade de descanso dialoga com questões de saúde. Dados da Previdência Social registraram recorde de afastamentos por transtornos mentais. A atualização da NR-1 reforça a atenção às riscos psicossociais. Assim, as férias deixam de ser apenas um direito legal e passam a ser cruciais para a recuperação física e psicológica dos profissionais.

