As denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes em São Paulo quase triplicaram nos últimos dez anos, segundo dados da Fundação Abrinq e do Ministério da Saúde. O aumento reflete um desafio para o poder público, apesar da ampliação da proteção legal.
Os registros indicam que, em 2016, foram contabilizados 4.667 casos de violência sexual no estado. Esse número subiu para 14.124 em 2025. Paralelamente, as notificações de violência física cresceram 65%, passando de 371 casos em 2016 para 613 em 2025, conforme dados oficiais.
Especialistas afirmam que a rede de proteção enfrenta dificuldades para prevenir e interromper os atos. Ariel de Castro Alves, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB, disse que o enfrentamento à violência, especialmente os estupros de vulneráveis, é um desafio crescente.
Em resposta aos riscos, a Defensoria Pública de São Paulo lançou uma cartilha sobre o ECA Digital. Patrícia Oliveira, responsável pela elaboração, afirmou que o acompanhamento da rotina digital dos filhos é uma forma de prevenção. A cartilha também orienta sobre a atuação integrada de órgãos como escolas e Conselhos Tutelares, segundo Thaís Dantas, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB-SP.

