Emendas parlamentares individuais destinadas à saúde têm priorizado infraestrutura e material de escritório em detrimento de equipamentos médicos na Atenção Primária. Um estudo do IEPS revelou que, no ano passado, 65,7% dos itens adquiridos para Unidades Básicas de Saúde (UBSs) se enquadraram nessas categorias.
O levantamento analisou emendas individuais para a Atenção Primária à Saúde (APS) e Assistência Hospitalar e Ambulatorial (AHA) em 2025. Na APS, dos 95.598 equipamentos comprados, 62.788 eram itens de infraestrutura e material de escritório, como cadeiras, computadores e aparelhos de ar-condicionado. Na assistência hospitalar, a proporção foi similar, com 60% dos 69.218 itens adquiridos pertencendo à mesma categoria.
Em valores, os recursos na APS totalizaram R$ 491 milhões. Desse montante, R$ 113,9 milhões (23%) foram usados para infraestrutura e material de escritório. A maior fatia foi destinada a veículos, que receberam R$ 263,5 milhões, enquanto equipamentos de saúde de baixo custo somaram R$ 58,8 milhões. Os autores do estudo afirmam que o predomínio de materiais sobre equipamentos assistenciais levanta dúvidas sobre as prioridades dos investimentos.
O estudo também identificou concentração regional. O Centro-Oeste liderou o percentual de municípios contemplados, com 85% de seus municípios recebendo emendas de investimento em saúde entre 2023 e 2025. Em contrapartida, o Norte registrou 63% de contemplação, o menor índice entre as cinco regiões brasileiras.


