A ouvidora-geral da Petrobras, Cristina Bueno Camatta, solicitou ao governo Lula a reconsideração da decisão que determinava seu retorno à Polícia Federal. A medida ocorre em um contexto de reforço do combate ao crime organizado, que levou o Ministério da Justiça a convocar mais de cem servidores de diversas polícias.
A função de ouvidora-geral, que administra o canal de compliance e acompanha a Lei de Acesso à Informação (LAI) e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), paga um salário superior a R$ 80 mil, valor que fontes da Petrobras afirmam ser cerca do dobro da remuneração de um delegado da Polícia Federal no topo da carreira. A profissional ocupa o posto desde agosto de 2025 e está cedida à estatal desde março de 2023.
O Conselho de Administração da Petrobras adiou a formalização da saída da ouvidora após o pedido de reconsideração. A pasta confirmou o recebimento do pedido e informou que ele “permanece em apreciação”. O caso gerou divergências no conselho, com conselheiros ligados ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendendo sua permanência.
O ministro Silveira, que foi assessorado por Cristina em seu ministério, negou interferência no caso, classificando como “falsa” a informação de que pressiona pela permanência da delegada. Ele declarou que respeita “integralmente a governança da companhia”, sem exercer “qualquer ação direta em sua gestão”.

