Um em cada três crianças e adolescentes acompanhados pela atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS) em Goiás está acima do peso, revelam dados do Ministério da Saúde. Mais de 518 mil jovens no estado apresentam excesso de peso, o que corresponde a 31% do público monitorado pela rede pública. O cenário é mais grave entre crianças de 5 a 9 anos.
O excesso de peso afeta significativamente a população jovem goiana. Segundo o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), cerca de 13% dos jovens monitorados já são classificados como obesos. A faixa etária de 5 a 9 anos concentra um ponto crítico, com Goiás respondendo por aproximadamente 40% dos casos registrados na Região Centro-Oeste para essa idade.
O educador físico Felipe Mabel atribui o avanço da obesidade infantil às mudanças no estilo de vida. Ele explica que o uso excessivo de telas e o consumo de alimentos ultraprocessados alteraram a rotina das crianças, que hoje praticam menos atividades físicas. Mabel defende a criação do projeto “Ruas do Lazer”, que visa fechar temporariamente vias públicas para atividades recreativas, dependendo de articulação entre poder público e sociedade civil.
Além de incentivar o esporte, o especialista defende a restrição da publicidade de alimentos ultraprocessados em cantinas escolares. Ele ressalta que a mudança de hábitos exige a participação das famílias, e que políticas públicas devem buscar alternativas saudáveis e acessíveis, considerando a realidade econômica da população.

