O volume de comunicações de operações suspeitas enviadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) cresceu 766,6% entre 2015 e 2024, passando de 296.183 para 2.566.713. Esse aumento reflete a mudança do compliance de mera exigência regulatória para componente essencial da gestão de riscos corporativos no Brasil.
O fortalecimento do monitoramento financeiro, impulsionado pela digitalização e pela expansão dos meios eletrônicos de pagamento, elevou as expectativas sobre as empresas. O compliance deixou de ser restrito às áreas jurídica e regulatória para influenciar decisões comerciais, contratações e estratégias de expansão. Investidores e instituições passaram a exigir programas de integridade mais robustos como condição para relações comerciais.
Práticas como KYC (conheça seu cliente), KYB (conheça seu negócio) e due diligence de terceiros consolidaram-se como ferramentas de gestão de riscos. O modelo tradicional de verificação no cadastro mostrou-se insuficiente, exigindo acompanhamento contínuo devido a mudanças societárias, inclusão de pessoas politicamente expostas (PEPs) ou notícias negativas.
A tecnologia é crucial nessa transformação. A integração de bases de dados e o uso de inteligência artificial permitem reduzir o tempo de análise e direcionar investigações. Bruno Zago, CEO da Cedro Technologies, afirmou que o compliance evoluiu para um processo contínuo de inteligência. Ele disse que quem transforma dados em confiança toma decisões melhores e fortalece a competitividade.

