Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros e dos Estados Unidos indica que incorporar dez minutos de atividade física diária pode prevenir cerca de 420 mil casos de demência no Brasil até o ano de 2050. A análise, publicada em 2025, aponta que a inatividade física está ligada a 14,9% dos casos da doença no país.
Os autores combinaram dados da Pesquisa Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde, com informações do Global Burden of Disease. Os resultados mostram que a inatividade física, definida como menos de cento e cinquenta minutos semanais de exercícios, contribui para o quadro de demência. O comportamento sedentário, que envolve longos períodos sentado ou deitado, aumenta a probabilidade de desenvolver o problema em 17% a 30%, segundo a geriatra Thaís Ioshimoto, do Einstein Hospital Israelita.
Natan Feter, um dos pesquisadores, afirmou que um em cada quinze casos de demência mundial pode ser atribuído à inatividade física. O estudo projeta que o número de brasileiros com demência pode crescer de aproximadamente um milhão e novecentos mil em 2019 para cinco milhões e setecentos mil em 2050, impulsionado pelo envelhecimento da população.
A ciência reforça o papel protetor do exercício na saúde cerebral, pois a atividade regular melhora a função cognitiva e estimula a criação de neurônios. Os benefícios são maiores quando a pessoa inicia a prática, sendo que cada minuto adicionado à rotina diminui o risco, segundo Feter. A meta de dez minutos é considerada realista para a maioria da população.
Os pesquisadores também destacam que a prática de exercícios depende de fatores sociais. Eles concluíram que é fundamental investir em políticas públicas para ampliar o acesso à oportunidade, tratando a atividade física como um direito humano.

