Dez deputados e senadores que votaram a favor do impeachment de Dilma Rousseff, finalizado em 31 de agosto de 2016, compõem atualmente chapas majoritárias apoiadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos estados. Os parlamentares buscam agora mandatos no Senado ou governos estaduais com o respaldo do PT.
Entre os nomes de projeção nacional está a ministra do Planejamento Simone Tebet. Ex-senadora pelo MDB de Mato Grosso do Sul, Tebet votou pela cassação de Dilma ao citar as consequências da política fiscal da época. Atualmente filiada ao PSB, ela disputa o Senado por São Paulo.
No Senado, Renan Calheiros, do MDB, também votou a favor do impeachment e agora tenta a recondução à Casa por Alagoas na chapa lulista. Já o candidato ao Senado Pedro Paulo, do PSD do Rio de Janeiro, afirmou que o voto favorável à cassação foi um erro, alegando que o processo abriu caminho para o radicalismo no país.
Outras mudanças incluem a filiação ao PT da senadora Eliziane Gama, que concorre à reeleição pelo Maranhão, e do ex-deputado Expedito Netto, candidato ao governo de Rondônia. O senador Veneziano Vital do Rêgo, do MDB, também votou pela cassação quando era filiado ao PSB e busca novo mandato na Paraíba.
No Amazonas, o senador Omar Aziz, do PSD, tenta chegar ao Executivo estadual. Aziz atuou como relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sobre o fim da escala 6×1, pauta defendida pelo governo federal. Também integram o grupo os candidatos ao Senado Júlio Cesar (PSD) no Piauí, Rafael Motta (PDT) no Rio Grande do Norte e André Moura (União) em Sergipe.
Para o cientist político Josué Medeiros, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a centro-direita percebeu que a extrema direita de Jair Bolsonaro ocupou o espaço vazio deixado após o impeachment. Segundo Medeiros, lideranças desses partidos entenderam que a sobrevivência política depende de se aliar a quem consegue barrar o avanço eleitoral de Bolsonaro.

