Os Estados Unidos anunciaram a ampliação da Operação Southern Spear (Lança do Sul), que agora incluirá iniciativas em terra com o apoio de Equador, Guatemala, Honduras, Jamaica e Colômbia. A ofensiva, que completa um ano nesta semana, resultou na morte de 227 pessoas em ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico.
A estratégia é celebrada pelos secretários de Defesa, Pete Hegseth, e de Estado, Marco Rubio. Na última sexta-feira, o Exército americano destruiu uma suposta embarcação de tráfico no Pacífico oriental com aval de Bogotá. Em contrapartida, a Colômbia receberá ajuda militar de US$ 1 bilhão.
A organização Airwars registrou a morte de 227 pessoas e a destruição de 69 embarcações durante o primeiro ano da operação. Dessas vítimas, 28 morreram afogadas ou em segundos ataques, o que pode caracterizar crime de guerra. A Casa Branca publicou 63 vídeos das ações nas redes sociais, mas ninguém foi formalmente acusado de crime.
Em outubro, o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU afirmou que não há justificativa no direito internacional para os ataques e exigiu que Washington evitasse execuções extrajudiciais. O custo da campanha militar entre novembro de 2025 e junho deste ano foi de US$ 821 milhões, além de US$ 4,7 bilhões em despesas de pessoal, segundo a Universidade de Brown.
O impacto real da operação é questionado por dados oficiais, que indicam aumento de 2% na entrada de cocaína nos EUA. O advogado Eugene Fidell, da Universidade de Yale, comparou as ações ao massacre de My Lai, ocorrido durante a Guerra do Vietnã, citando a eliminação de civis em larga escala.
John Walsh, diretor do Washington Office on Latin American (Wola), afirmou que as vítimas são moradores de cidades pobres, invisibilizados pela opinião pública. O Wola e o Centro Latino-Americano de Investigação Jornalística identificaram entre os mortos pescadores e motoristas da Venezuela, Colômbia e Equador.
O ex-embaixador dos EUA no Panamá, John Feeley, classificou a conduta como crime após declarações de Marco Rubio, que afirmou que a solução para o tráfico era explodir os barcos. A possibilidade de uma CPI sobre a operação depende das eleições de novembro nos Estados Unidos.


