O depoimento de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, marcado para esta quinta-feira (27), foi adiado para sexta-feira (28) após instabilidades na conexão de internet do complexo prisional da Papuda. O empresário, que está preso, deveria prestar esclarecimentos à Polícia Federal por meio de ambiente virtual.
De acordo com o advogado Daniel Bialski, a defesa afirma que Vorcaro se colocou à disposição para falar e aguardou por horas o restabelecimento do sinal da audiência, o que não ocorreu. O depoimento visa esclarecer a atuação do banco junto ao Banco Central (BC), especificamente a contratação de dois ex-diretores de fiscalização, Paulo Sérgio Souza e Belline Santana.
As investigações integram a Operação Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A ação apura fraudes no Banco Master, instituição liquidada pelo BC. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) desde dezembro de 2025, sob a relatoria do ministro André Mendonça, que assumiu o processo em fevereiro de 2026.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, quando tentava deixar o Brasil. Após um período de liberdade com uso de tornozeleira eletrônica, ele voltou a ser detido no início de março de 2026. Atualmente, o ex-banqueiro encontra-se na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
A operação já passou por dez fases, com bloqueios e sequestros que superaram R$ 5,7 bilhões. A apuração inclui suspeitas de uso de fundos fraudulentos para maquiar caixas, pagamento de propina a funcionários do BC e a manutenção de um grupo de intimidação e espionagem, articulado pelo pai de Vorcaro.
Outras figuras públicas foram alvos da PF na investigação, como o senador Ciro Nogueira, o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o senador Jaques Wagner. As fases da operação também apuraram esquemas de monitoramento contra jornalistas e vazamento de informações sigilosas.

