Malta, arquipélago no Mediterrâneo, atraiu grandes empresas dos Estados Unidos que buscam reduzir a carga tributária de seus lucros. O país oferece um sistema fiscal vantajoso dentro das regras da União Europeia, permitindo que companhias atinjam tributação próxima de zero.
O crescimento de Malta como centro de planejamento tributário ocorreu após o endurecimento de regras contra estruturas como o “duplo irlandês”. Além disso, o arquipélago se tornou mais atrativo ao adiar a implementação de uma política internacional de tributação mínima global de 15% para grandes empresas. Documentos corporativos indicam que o número de subsidiárias maltesas criadas por empresas dos EUA cresceu quase 70% nos últimos três anos.
A fabricante Crocs exemplifica a estratégia. Após adquirir a HeyDude em 2022, a companhia transferiu ativos de propriedade intelectual avaliados em mais de US$ 3 bilhões para Malta. Segundo a imprensa internacional, essa manobra tributária gerou uma redução de US$ 218,6 milhões no imposto de renda da empresa em 2023.
Embora a taxa corporativa oficial em Malta seja de 35%, o sistema permite reduções significativas. No entanto, especialistas questionam estruturas que não demonstram atividade econômica real no local. A Receita Federal dos Estados Unidos tem intensificado a fiscalização sobre operações sem “substância econômica”.


