A candidata ao Senado por São Paulo, Marina Silva (Rede), sinaliza a aliados que não pretende retornar à Esplanada dos Ministérios caso seja eleita nas eleições deste ano. Segundo interlocutores, a ex-ministra do Meio Ambiente tem reforçado a intenção de concentrar sua atuação política no Congresso Nacional a partir do próximo ano.
Pessoas próximas à candidata avaliam que a presença de Marina no Senado pode ampliar a margem de manobra do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em votações sensíveis. O objetivo seria a composição de um bloco capaz de atuar como contrapeso parlamentar, em vez de uma fidelidade automática ao Palácio do Planalto.
Aliados de Marina e de Lula demonstram preocupação com o avanço de candidaturas da extrema-direita para o Senado. Para o grupo, esses nomes podem atuar como vetores de ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por motivações ideológicas. A atuação de Marina poderia ajudar a barrar propostas contrárias à agenda ambiental do governo e fortalecer a articulação sobre o tema no Legislativo.
Nos bastidores, interlocutores afirmam que a ex-ministra considera que já cumpriu as principais demandas à frente do Ministério do Meio Ambiente. Para ela, o foco agora seria a manutenção dos programas já existentes. Marina tem acompanhado a articulação política no Planalto e passou a ver o mandato no Senado como uma posição estratégica.
A avaliação é compartilhada pelo governo federal, que busca ampliar o número de senadores aliados para evitar derrotas em indicações importantes, como ocorreu na rejeição do nome de Jorge Messias para o STF. O governo também enfrentou dificuldades de articulação com a própria base em períodos de crise com a presidência do Senado, ocupada por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Marina Silva tem sido alvo de críticas sobre a possibilidade de assumir novamente um ministério em 2027, caso Lula seja reeleito. No entanto, interlocutores afirmam que ela tem rebatido essas especulações e reforçado o desejo de permanecer no Senado caso conquiste a vaga.


