A quantidade ideal de sono para a preservação da saúde biológica situa-se entre 6,4 e 7,8 horas por noite, segundo estudo publicado na revista Nature. A pesquisa indica que tanto a privação crônica quanto o excesso de descanso apresentam riscos, configurando uma relação em forma de “U” entre a duração do sono e a saúde do organismo.
O neurocientista computacional Junhao Wen, da Universidade de Columbia, liderou a análise de 500 mil pessoas, utilizando dados do UK BioBank. A equipe aplicou o conceito de “relógios biológicos” para verificar se a fisiologia de órgãos específicos estava em condições melhores ou piores do que a idade cronológica do indivíduo sugeriria.
Os resultados identificaram que nove sistemas do corpo, incluindo pele, fígado, pulmões e cérebro, seguem o padrão de risco nos extremos de duração do sono. Para as mulheres, a faixa ideal de descanso foi estimada entre 6,5 e 7,8 horas, enquanto para os homens o intervalo é de 6,4 a 7,7 horas.
Outras investigações anteriores, publicadas nas revistas Sleep Health e Sleep, apontavam metas semelhantes. Um levantamento de 2015, que avaliou 575 estudos, recomendava de sete a nove horas para adultos entre 18 e 64 anos, reduzindo a meta para sete ou oito horas para pessoas com mais de 65 anos.
A privação crônica de sono é associada a transtornos psiquiátricos, declínio cognitivo e morte precoce. No entanto, Michael Grandner, psiquiatra da Universidade do Arizona, afirma que a duração é apenas uma das métricas, e que a regularidade, a continuidade e a qualidade do descanso também são determinantes.
A preocupação excessiva com o tempo de sono pode, inclusive, prejudicar a qualidade do descanso. Uma pesquisa de 2025 da Academia Americana de Medicina do Sono revelou que 76% dos entrevistados perderam o sono devido a inquietações sobre a própria qualidade do sono.


