O consumo de cigarros e derivados voltou a crescer no Brasil após vinte anos de redução, segundo dados do Ministério da Saúde e do A.C.Camargo Cancer Center. A tendência é mais acentuada entre jovens de 16 a 24 anos, grupo que apresenta índices de tabagismo superiores à média geral da população.
Uma pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center, em parceria com a Nexus, indica que 19% dos brasileiros entre 16 e 24 anos são fumantes ativos de cigarros comuns ou eletrônicos. O índice supera a média de 17% registrada no estudo. Helano Freitas, líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C.Camargo, afirmou que o primeiro contato com o cigarro ocorre, em média, aos 16 anos, o que eleva o risco de dependência vitalícia.
Dados do Vigitel, divulgados pelo Ministério da Saúde em 2026, mostram que 11,7% da população adulta fumava em 2024, contra 9,2% em 2023. Apesar da alta, o número é menor que os 15,7% registrados em 2006. As metodologias diferem: o Vigitel foca em adultos e doenças crônicas, enquanto o estudo do A.C.Camargo ouviu mais de 2 mil pessoas e incluiu dispositivos eletrônicos.
A procura por tratamento gratuito nas Unidades Básicas de Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu no País. Em 2025, 2,1 milhões de pessoas foram atendidas, superando 1 milhão de atendimentos em 2022. O suporte inclui grupos, avaliações de dependência e uso de medicamentos como bupropiona e adesivos de nicotina.
Em Goiás, os atendimentos do SUS para tabagismo subiram de 24.185 em 2022 para 39.756 em 2025, um aumento de 64%. Em Goiânia, a proporção de adultos fumantes apresentou queda no longo prazo, saindo de 13,3% em 2006 para 11,1% em 2023.
Regionalmente, a maior concentração de fumantes está no Sul, com 22%, seguida pelo Sudeste, com 19%. No Nordeste e no conjunto Norte/Centro-Oeste, o índice é de 13%. O estudo também apontou que 21% dos entrevistados com ensino fundamental incompleto fumam, enquanto 19% dos que possuem renda de até um salário mínimo declararam o hábito.
Cerca de 33% dos brasileiros afirmam conviver com fumantes em casa ou no trabalho. O tabagismo é associado a mais de 50 doenças e responde por 90% das mortes por câncer de pulmão no Brasil, segundo as informações apresentadas.


