A Corte Especial Administrativa do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) decidiu, nesta quinta-feira (27), punir o juiz federal Eduardo Appio com a perda do cargo. O magistrado, que atuou em processos da Operação Lava Jato em Curitiba, foi acusado de furtar duas garrafas de champanhe em um supermercado de Blumenau, em Santa Catarina.
A decisão foi aprovada por 14 votos favoráveis e dois contrários. Com a punição, Appio deixa de receber salários, embora a determinação ainda não seja definitiva. O TRF4 encaminhará o caso ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que decidirá se confirma a perda da função.
O processo administrativo disciplinar começou em 2025 para investigar o furto de duas garrafas de Moët & Chandon, avaliadas em R$ 540 cada. O tribunal afastou o magistrado de suas funções em novembro daquele ano. Na época, Appio classificou a acusação como um mal-entendido e afirmou ser alvo de perseguições.
Em nota, o juiz descreveu a decisão atual como injusta e desproporcional, afirmando confiar na reversão do resultado pelo CNJ. Ele mencionou seus 32 anos de serviço público para contestar a penalidade.
Appio também foi alvo de um pedido de suspeição do Ministério Público Federal devido a manifestações políticas. O magistrado admitiu ter utilizado a expressão Lul2022 como senha de acesso ao sistema da Justiça Federal e fez doações eleitorais para campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018 e 2022.
Em fevereiro de 2023, ao assumir processos da Lava Jato, o juiz declarou que considerava Lula inocente judicialmente devido à anulação de condenações. No mesmo ano, Appio foi afastado por um telefonema anônimo ao filho do desembargador Marcelo Malucelli, admitindo conduta imprópria e desistindo de retornar à 13ª Vara Federal de Curitiba.


