O líder da Oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou nesta quinta-feira (10) que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, utilizou instrumentos do Estado para perseguir adversários políticos. A declaração ocorreu após a Polícia Federal (PF) cumprir mandados de busca e apreensão contra o deputado Mário Frias (PL-SP).
A PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a operação Make Up para investigar irregularidades no uso de emendas. Entre os alvos estão Frias, que atua como produtor-executivo do filme Dark Horse, e a produtora Karina Gama. A apuração envolve suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade documental e crimes licitatórios.
De acordo com a PF, agentes públicos e privados teriam formado uma organização para direcionar recursos de maneira irregular para empresas subcontratadas. As investigações sobre a obra cinematográfica derivam da operação Compliance Zero, que apura condutas do Banco Master e do empresário Daniel Vorcaro.
Em maio, mensagens de Vorcaro mencionavam o financiamento do filme. Em um dos áudios, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, solicita dinheiro ao ex-banqueiro para custear a produção. O conteúdo gerou pedidos de investigação enviados ao STF.
Em nota, Cabo Gilberto questionou a existência de fatos novos que justificassem a medida contra Frias e classificou a ação como abuso de poder por ocorrer em período eleitoral. O deputado mencionou que a decisão de Dino de reintegrar Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da PF deve ser considerada na avaliação da operação.
O líder da Oposição cobrou ainda que o Senado se manifeste sobre o pedido de impeachment contra o ministro do STF, protocolado pela bancada. Ele afirmou que o silêncio da Casa deixou de ser prudência para se tornar abdicação diante de decisões com impacto institucional.


