O presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados, Coronel Meira (PL-PE), acusou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, de promover o “aparelhamento” da Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (9), após a reintegração de dois diretores à cúpula da corporação.
A manifestação do parlamentar ocorreu depois que Dino determinou o retorno de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da PF e de Leandro Almada à Diretoria de Inteligência Policial. Ambos haviam sido afastados na terça-feira (8) por decisão do ministro André Mendonça.
Meira afirmou que a medida reforça uma atuação politicamente alinhada ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o deputado, Dino nunca atuou em favor da neutralidade e joga a favor do “comunismo e de uma agenda ideológica”.
O parlamentar relacionou a conduta do ministro ao período em que ele comandou o Ministério da Justiça e Segurança Pública, entre 2023 e o início de 2024. Meira declarou que, na época, Dino teria deixado claro ao presidente Lula que a Polícia Federal estava alinhada aos seus interesses.
A decisão de reintegração também foi alvo de críticas quanto ao uso de medidas monocráticas no STF. O deputado afirmou ser impossível respeitar ministros que utilizam o topo do Judiciário para tomar decisões individuais por interesse próprio, classificando a conduta como um atentado contra a Justiça.
Ao determinar o retorno dos delegados, Flávio Dino questionou a legitimidade do partido Novo para requerer as cautelares. O ministro sustentou que o afastamento dos diretores poderia prejudicar investigações da PF relacionadas a processos sob sua relatoria. A decisão será submetida ao plenário do Supremo.
Anteriormente, a 2ª Turma do STF havia formado maioria de três votos pela manutenção do afastamento, com apoio de Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques. O julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.


