Veículos de comunicação internacionais repercutiram, nesta sexta-feira (4), o agravamento de uma crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF). O conflito envolve os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, após Moraes solicitar ao presidente da Corte, Edson Fachin, providências contra o colega por suposto abuso de autoridade e improbidade administrativa.
A tensão começou com a divulgação de mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no aparelho celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Mendonça, relator do caso, retirou o sigilo do material. Segundo a PF, o ex-banqueiro trocou mensagens com Moraes e chegou a questionar se deveria fugir do Brasil dois dias antes de ser preso.
A agência Reuters classificou a situação como um “teste inédito” para o STF e afirmou que o caso expõe a divisão na mais alta Corte do país. A agência indicou que o episódio ocorre em momento sensível, próximo às eleições de outubro, e pode prejudicar a imagem da instituição perante a sociedade.
O jornal Washington Post publicou reportagem sobre a pressão enfrentada por Moraes devido aos vínculos com Vorcaro. O texto cita um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci, esposa do ministro. De acordo com a PF, Moraes teria editado o referido contrato.
Moraes fundamentou suas acusações contra Mendonça em relatórios de inteligência da PF sobre a atuação do colega em investigações do Banco Master e de fraudes no INSS. O ministro alegou que Mendonça teria agido para favorecer grupos políticos e violado a imparcialidade judicial.
O presidente do STF, Edson Fachin, rejeitou o pedido de Moraes para investigar Mendonça no âmbito do inquérito das Fake News.


