Um tribunal da cidade de San José del Guaviare determinou, nesta quinta-feira (3), a suspensão temporária de bombardeios militares contra acampamentos de grupos armados na Colômbia quando houver informações de inteligência sobre a possível presença de crianças e adolescentes nas áreas alvo.
A decisão atinge as operações do governo do presidente Abelardo de la Espriella no departamento amazônico de Guaviare. Recentemente, o chefe de Estado ordenou dois ataques aéreos que resultaram na morte de ao menos 33 dissidentes da extinta guerrilha das Farc. A autoridade forense informou, no último domingo, que três menores entre 15 e 16 anos morreram na primeira operação.
A medida cautelar será mantida enquanto o juiz analisa um recurso judicial apresentado pelo estudante de direito Roxemhberg Rozo, de 35 anos. O processo questiona a atuação do governo e das Forças Militares por suposta violação dos direitos fundamentais de menores. Rozo afirmou que a resposta governamental não pode ser bombardear e matar crianças recrutadas por grupos armados.
O presidente De la Espriella, que assumiu o cargo em 7 de agosto, defende a linha-dura no combate ao narcotráfico com bombardeios e extradições para os Estados Unidos. Na última segunda-feira, ele declarou apoio aos ataques contra grupos que recrutam menores para servirem como combatentes ou escudos humanos. O Ministério da Defesa argumentou que as operações cumpriram todos os padrões legais.
A gestão atual enfrenta críticas de organizações de direitos humanos e da oposição, inclusive por um vídeo em que o presidente comemora um bombardeio caminhando entre 20 corpos de guerrilheiros. O recrutamento de menores por grupos armados é recorrente no país: a Defensoria do Povo registrou 428 casos no ano passado e 97 entre janeiro e 31 de julho deste ano.


