O Ministério Público do Rio (MPRJ), por meio do Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos (CyberGaeco), denunciou Vinicius Pereira Drumond e Flávio da Silva Santos por usarem dinheiro do jogo do bicho para pagar a outorga de R$ 5 milhões à Loterj, permitindo a abertura da empresa de apostas Rio Jogos.
A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira (3) em endereços ligados aos investigados, resultando na apreensão de dinheiro, celulares, computadores e documentos. O grupo é acusado de ocultar a origem de R$ 5,196 milhões. O pagamento à autarquia estadual ocorreu no dia 6 de maio de 2024.
Vinicius Drumond é filho do bicheiro Luizinho Drumond, enquanto Flávio Santos, presidente da Mocidade Independente de Padre Miguel, está em prisão domiciliar por ser apontado como braço-direito de Rogério de Andrade. A Justiça ainda não decidiu sobre os pedidos de prisão preventiva de ambos, solicitados em 13 de julho.
A Rio Jogos é operada pela Lema Administração e Participações. Segundo a denúncia, o advogado Alexandre Vinicius da Costa Guedes atuou como diretor-presidente da Lema para viabilizar a operação. O esquema envolveria empresas de fachada, como a JRF Eagle Participações e a Invectry Participações, para lavar o dinheiro da contravenção.
A investigação aponta conexões com bicheiros no Paraná e em Goiás. João Eric Lourenço da Silva, com ligações a contraventores em Goiás, e a Apoio Consultoria Financeira Ltda, vinculada a Ana Paula Batista Vitorino e João Victor de Araújo Souza, teriam participado do pagamento do credenciamento.
A Lema também foi alvo da Operação Big Fish, no Paraná, que investigou a lavagem de dinheiro com auxílio de plataformas de apostas ilegais em 14 estados. A Loterj informou que não tinha conhecimento do uso de recursos ilícitos e que a apuração cabe a órgãos como a Receita Federal e o Coaf.
A defesa de Flávio Santos afirmou que aguarda acesso à denúncia. O novo presidente da Lema, Pedro Francisco Soffiato, não respondeu aos pedidos de entrevista.


