Fiscalizações realizadas em agosto retiraram 479 pessoas de situações de trabalho análogo à escravidão em diversas regiões do Brasil. O balanço da Operação Resgate VI, divulgado pelo Ministério Público Federal (MPF), indica que entre as vítimas estão 75 mulheres e 13 crianças e adolescentes.
A região Sudeste concentrou a maior parte dos resgates, com 267 pessoas, o que representa 55,7% do total. Minas Gerais foi o estado com maior incidência, somando 208 casos. A exploração ocorreu predominantemente no meio rural, onde 292 vítimas foram localizadas em 57,5% das fiscalizações efetuadas.
No campo, o cultivo de café registrou o maior número de trabalhadores resgatados, com 53 pessoas, seguido por plantações de cebola (47), batata-inglesa (44) e outras culturas temporárias (43). Já nas áreas urbanas, as equipes identificaram 178 vítimas, sendo que 85 delas trabalhavam na construção civil.
A operação também identificou 66 migrantes em condições degradantes, vindos de países como Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau. Nove pessoas eram exploradas em regime de trabalho doméstico. No total, foram emitidos 1.836 autos de infração e determinadas interdições em locais com riscos graves à saúde.
Os empregadores notificados deverão rescindir os contratos e formalizar os vínculos retroativamente. O montante devido em verbas trabalhistas e rescisórias soma R$ 1,4 milhão. Atualmente, o MPF acompanha 491 inquéritos e 95 procedimentos extrajudiciais, enquanto 759 ações penais tramitam em primeira instância.
A força-tarefa, criada em 2021, integra o MPF, Ministério Público do Trabalho (MPT), Polícia Federal (PF), Defensoria Pública da União (DPU) e Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O combate ao trabalho doméstico escravo foi reforçado em julho por meio da Lei nº 15.455/2026, que permite a entrada de auditores fiscais em residências para apurar denúncias.


