Políticos da oposição reagiram, nesta sexta-feira (4), à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que apontou indícios de improbidade administrativa e crime de responsabilidade na atuação do colega André Mendonça. Parlamentares classificaram a medida como retaliação após a divulgação de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que Moraes transformou a investigação em instrumento de “poder pessoal”. Segundo o senador, houve uma inversão de valores, pois o ministro citado nas mensagens do caso Master deveria prestar esclarecimentos em vez de usar poderes investigativos contra quem supervisiona a apuração. Marinho convocou manifestações para o dia 7 de setembro contra o que chamou de “práticas de exceção”.
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), acusou Moraes de eliminar quem ameace seu poder e questionou a possibilidade de prisão do ministro. No mesmo sentido, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) classificou a decisão como arbitrária e autoritária, afirmando que o uso do Inquérito das Fake News comprometeu a credibilidade do Supremo.
O senador Carlos Viana (Podemos-MG) informou que acionará o presidente do STF, Edson Fachin, para apurar a conduta de Moraes. Viana solicitou a preservação de documentos, logs e registros de acesso para verificar se houve uso do cargo para constranger Mendonça. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) também questionou a decisão, apontando que Moraes usou o inquérito para acusar um colega que levou ao tribunal investigações que alcançam o próprio ministro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou vídeo defendendo que todos os envolvidos no caso Master, incluindo políticos e agentes públicos, sejam investigados sem blindagem. Lula criticou “vazamentos seletivos”, defendeu reformas profundas no Judiciário e pediu que Fachin e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, liderem o processo para garantir a integridade das investigações.
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) descreveu a situação como uma inversão entre investigador e investigados. Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu que Mendonça desse voz de prisão a Moraes durante sessão do Supremo.


