O governo do Reino Unido exigirá que empresas de tecnologia, como Apple e Google, impeçam crianças de tirar, compartilhar ou visualizar imagens de nudez em celulares e tablets. A secretária de Cultura, Lisa Nandy, informou a medida à Câmara dos Comuns nesta terça-feira (8), anunciando que o governo apresentará uma lei para formalizar a obrigatoriedade.
Em junho, as companhias haviam recebido um prazo de três meses para implementar restrições voluntárias. Embora Apple e Google ofereçam proteções de conteúdo para jovens, nenhuma das empresas bloqueia de forma abrangente a captura ou o envio de selfies com conteúdo íntimo.
Lisa Nandy classificou os compromissos assumidos pelas fabricantes como um passo na direção certa, mas afirmou que as medidas são insuficientes. A secretária declarou que as empresas de tecnologia não conseguiram proteger as crianças de danos graves por tempo demais e que não dará o benefício da dúvida sobre o ritmo do progresso corporativo.
A detecção de nudez nos sistemas operacionais e em aplicativos visa evitar que menores sejam pressionados a criar e compartilhar imagens íntimas, que podem ser utilizadas para chantagem e aliciamento. As restrições não serão aplicadas a adultos que passarem por verificação de idade.
Um porta-voz do Google afirmou que a empresa está comprometida em trabalhar com parlamentares e especialistas em segurança para proteger as crianças. A Apple não respondeu aos pedidos de comentário. Nandy disse que o governo reavaliará a legislação caso as empresas implementem as restrições antes da aprovação do projeto de lei.
Rebecca Paul, secretária de Estado do Gabinete pelo Partido Conservador, elogiou a iniciativa, mas apontou que os detalhes da lei continuam vagos. O grupo de defesa da privacidade Big Brother Watch criticou a medida, descrevendo-a como software de vigilância e verificação de identidade digital.
Chris Sherwood, diretor-executivo da Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra Crianças, afirmou por e-mail que o governo precisa agir rapidamente para garantir que as medidas sejam incorporadas à legislação na primeira oportunidade possível.


