Guia orienta sobre como abordar violência de gênero nas redes sociais

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

A ONG Redes Cordiais lançou a cartilha Fala que Protege, um guia para comunicadores sobre a violência contra a mulher. O material visa contribuir para uma internet mais responsável, informada e acolhedora, e será disponibilizado gratuitamente ao público.

A cartilha, que conta com o apoio do YouTube, é direcionada a comunicadores e influenciadores digitais, propondo orientações sobre a abordagem responsável de casos de violência contra meninas e mulheres nas redes sociais. O lançamento oficial está previsto para o próximo domingo (8), Dia Internacional da Mulher.

O guia surge em um contexto de aumento da repercussão de crimes de gênero e da disseminação de discursos de ódio na internet, incluindo grupos associados aos movimentos “redpill”. Dados do Conselho Nacional de Justiça indicam que, em 2025, foram registradas 621.202 medidas protetivas concedidas e 4.243 casos de feminicídio em tribunais de primeiro grau.

A diretora executiva e co-fundadora do Redes Cordiais, Clara Becker, destacou que a internet amplifica discursos de ódio. “Não é que as violências não acontecessem antes do advento das redes, mas vemos que hoje essas violações têm se amparado em discursos de ódio que são disseminados na internet”, afirmou Becker.

O material apresenta diferenciações dos tipos de violência, esclarece o conceito de consentimento e traz recomendações práticas para a cobertura jornalística e produção de conteúdo. Entre as orientações, destaca-se a importância de não culpabilizar a vítima, evitar o uso da voz passiva e não recorrer ao sensacionalismo.

Além disso, o guia sugere contextualizar os casos dentro de estruturas mais amplas, como misoginia e racismo, e permitir que sobreviventes falem por si. Ao se referir ao agressor, recomenda-se o uso de termos como “suspeito” ou “acusado”, sem antecipar sentenças judiciais.

O documento também contém um capítulo dedicado a comunicadores que sejam procurados por vítimas, orientando uma abordagem acolhedora e a oferta de contatos de serviços oficiais, como o Ligue 180 e o 190.

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