A ativista Maria da Penha, que dá nome à Lei 11.340/2006, pediu apoio direto para mulheres em pequenos municípios durante o seminário Brasil pela Vida das Meninas e Mulheres, realizado em Brasília no dia 4 de março de 2026.
Ela destacou a importância de que o combate à violência doméstica chegue a essas localidades, onde muitas vezes o julgamento social protege o agressor. “Se acostuma a ver violência e continuar calada porque ninguém vai falar mal do marido dela”, afirmou.
Maria da Penha relembrou suas experiências pessoais, incluindo as duas tentativas de feminicídio que sofreu em 1983, quando um tiro disparado por seu ex-marido a deixou paraplégica. Ela ressaltou que, na época, não tinha consciência de que era vítima de violência doméstica.
No seminário, a ativista criticou a morosidade do Judiciário, mencionando que seu caso levou quase 20 anos para ser julgado. “A vítima é desacreditada porque o poder Judiciário disse que ele [o agressor] é inocente”, disse.
Maria da Penha também falou sobre a importância da educação na transformação social. Ela promove o projeto Maria da Penha vai às Escolas, que visa traduzir a lei para uma linguagem acessível. A ministra das Mulheres anunciou que o ministro da Educação, Camilo Santana, regulamentará o programa para educar crianças e adolescentes sobre a prevenção da violência contra a mulher.
A ativista anunciou ainda uma nova edição de seu livro “Sobrevivi… posso contar”, que incluirá desdobramentos recentes de sua luta e fará referência ao pedido de desculpas público que recebeu do Tribunal de Justiça do Ceará em dezembro de 2025, conforme recomendação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA.
O caso de Maria da Penha foi marcado por uma longa espera por justiça, com o ex-marido sendo preso apenas em 2002, após condenação definitiva. Em 2001, a OEA condenou o Brasil por negligência em relação à violência doméstica.

