Delegacias de SP serão investigadas após operação contra corrupção policial

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Polícia Civil de São Paulo iniciou apurações administrativas em todas as delegacias onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão relacionados à Operação Bazaar, nesta quinta-feira (5). A operação investiga corrupção e lavagem de dinheiro dentro da própria corporação.

A ação foi conduzida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), em conjunto com a Polícia Federal (PF) e a Corregedoria Geral da Polícia Civil. A Corregedoria realizará verificações extraordinárias nos atos de polícia judiciária em que os agentes públicos investigados atuavam.

As diligências terão início no 35º Distrito Policial, localizado no Jabaquara, na zona Sul da capital paulista. A operação resultou na expedição de 25 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de prisão.

O grupo criminoso investigado é composto por policiais, advogados, operadores financeiros e doleiros, incluindo Leonardo Meirelles e Meire Poza, que já eram alvos da Operação Lava Jato. Para garantir a impunidade de suas operações financeiras ilícitas, a quadrilha pagava propinas a policiais civis.

“A Polícia Civil afirmou que não compactua com desvios de conduta e adotará medidas legais e disciplinares caso irregularidades sejam confirmadas.”

Os agentes públicos envolvidos transformaram suas delegacias em balcões de negócios, paralisando inquéritos e manipulando investigações. Um dos atos investigados inclui a troca de um disco rígido apreendido, realizada dentro da sede do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), para ocultar material incriminatório.

O grupo utilizava vales-refeição para lavar recursos de origem ilícita, adquirindo-os com dinheiro em espécie e repassando-os em estabelecimentos de fachada. Cléber Azevedo dos Santos, um dos principais alvos, ficou conhecido nas interceptações como “Cléber do ticket”.

A infiltração do grupo atingiu unidades importantes da polícia paulista, como o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e o 16º Distrito Policial, onde interceptações revelaram que policiais exigiram R$ 5 milhões para não dar continuidade a uma investigação sobre lavagem de dinheiro.

Até o momento, nove pessoas foram presas, incluindo um delegado e investigadores. A Justiça determinou a suspensão imediata das funções públicas dos policiais investigados e o bloqueio de até R$ 5 milhões nas contas bancárias de cada um dos envolvidos no esquema.

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