Na quinta-feira (5), o Ministério Público de São Paulo (MPSP) anunciou a Operação Bazaar, que investiga corrupção em departamentos da Polícia Civil de São Paulo. O MP afirma que, devido a práticas criminosas, inquéritos policiais foram transformados em ‘balcões de negócios’.
O documento judicial menciona um ‘elevado grau de prática de corrupção sistêmica’ entre policiais do Deic, DPPC e do 16° DP. Segundo o MPSP, alguns acusados pagaram vantagens indevidas a delegacias do Deic, especialmente à 3ª DIG e à 4ª DCCIBER, para obstruir investigações.
Os pagamentos foram registrados em conversas obtidas de celulares apreendidos na operação Recidere, realizada em novembro de 2023, onde já haviam sido identificados atos de corrupção policial. O MP destaca que, apesar do conhecimento dos atos criminosos, os policiais civis não foram responsabilizados.
A decisão do juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, menciona um inquérito de 2021 que não resultou em indiciamento de integrantes da organização criminosa alvo da Operação Bazaar. Ao menos três empresas e três pessoas foram investigadas.
A investigação revelou um ‘amplo e estruturado esquema de corrupção policial’ voltado à proteção de uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro, composta por doleiros e operadores financeiros.
Na Operação Bazaar, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, 11 mandados de prisão e seis mandados de intimação. Entre os presos, estão quatro policiais, incluindo dois investigadores, um escrivão e um delegado. A ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza, também foi presa, enquanto o empresário e delator da Lava Jato, Leonardo Meirelles, está foragido.
O MPSP afirma que a organização atuava de forma coordenada para manter suas práticas criminosas e evitar a responsabilização. Para isso, realizava pagamentos a agentes públicos e adotava estratégias de fraude processual e destruição de provas.
A operação é realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) e conta com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil, que realizará correições extraordinárias nas unidades policiais envolvidas.

