Mãe de adolescente morto lamenta absolvição de ex-PM após júri

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A mãe do adolescente Fernando de Jesus, que foi morto aos 13 anos em 2017, expressou sua tristeza após a absolvição do ex-sargento da Polícia Militar do Acre, Erisson de Melo Nery, decidida pelo júri popular na quinta-feira (5), em Rio Branco.

Erisson Nery respondia ao processo desde 24 de novembro de 2017, quando, segundo a denúncia, ele matou o adolescente com pelo menos seis tiros, alegando que estava ‘fazendo justiça pelas próprias mãos’ após o menor tentar furtar itens de sua casa. O caso foi julgado em 2024, resultando em condenação, mas o júri foi anulado a pedido da defesa e remarcado para março.

Em entrevista, Ângela Maria de Jesus afirmou que lutou para que o ex-militar fosse condenado e que recebeu o resultado do julgamento com tristeza.

““Saber que ele matou meu filho do jeito que matou e ficar livre, como se nada tivesse acontecido, qualquer mãe ficaria arrasada. Foram nove anos batalhando para condenar ele, mas infelizmente ele saiu ileso dessa”,”

lamentou.

O julgamento começou às 8h na 1ª Vara do Tribunal do Júri e contou com cinco testemunhas do Ministério Público do Acre e dez da defesa. A absolvição foi confirmada pelo advogado de Nery, que alegou a tese de legítima defesa e a inexistência do crime de fraude processual no júri anterior.

Apesar da morte de Fernando, a mãe disse que buscou justiça ao longo dos anos, enfrentando dificuldades financeiras.

““Ele tinha condições de pagar advogado particular, eu não tinha, então para mim as coisas ficam bem mais difíceis. Mas eu tentei, tentei. Agora é seguir em frente. A justiça de Deus não falha”,”

completou.

Erisson Nery havia sido condenado a oito anos em regime semiaberto em 23 de novembro de 2024, mas a sentença foi anulada em maio de 2025 pelos desembargadores da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre, que acolheram um recurso da defesa, alegando uso de provas não constantes nos autos.

O caso ocorreu no Conjunto Canaã, bairro Areal, em Rio Branco, onde Nery, segundo a denúncia, matou o adolescente e alterou a cena do crime junto com um colega, alegando legítima defesa. Em agosto de 2022, Nery foi ouvido em audiência de instrução na 1ª Vara do Tribunal do Júri.

Fernando, mesmo sendo dependente químico, não apresentava comportamento agressivo e não estava armado no momento do incidente, conforme relato da mãe.

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